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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Como ajudar seu filho na adaptação escolar

Seu filho está entrando na escola pela primeira vez ou retornando às aulas após as férias? É normal que isto gere um misto de alegria e ansiedade, pois tudo aquilo que é novo (nova escola, nova professora, nova sala, novos colegas) e desconhecido é sempre encarado como um desafio e, no caso do período escolar, é um desafio para a criança, para os pais e para a escola. Veremos aqui como você pode ajudar a criança nesta nova socialização de sua vida.





· A decisão de colocar seu filho na escola deve resultar de atitude pensada, consciente e segura. Sentir confiança na escola que seu filho irá estudar é imprescindível. Antes de matriculá-lo procure ver se o método adotado corresponde às suas expectativas e crenças.

· A vinda da criança para a escola deve ser preparada; entretanto, evite longas explicações para ela, pois isto pode despertar suspeitas e insegurança.

· A separação, apesar de necessária é um processo doloroso tanto para criança quanto para a mãe, mas é superado em pouco tempo.

· Cuidados devem ser tomados nesse período de adaptação em relação a: troca recente de residência, retirada de chupeta ou fraldas, troca de mobília do quarto da criança, perda de parente próximo ou animalzinho de estimação.

· O choro na hora da separação é frequente e nem sempre significa que a criança não queira ficar na escola.

· A ausência do choro não significa que a criança não esteja sentindo a separação. Não force com violência e ansiedade a criança a ficar na escola.

· Evite comentários sobre a adaptação da criança em sua presença.

· Cabe à mãe entregar a criança ao educador. Colocando-a no chão e incentivando-a a ficar na escola. Não é recomendável deixar o educador com o encargo de retirar a criança do colo da mãe.

· Nunca saia escondido de seu filho. Despeça-se naturalmente.

· A sala de atividade é um espaço que deve ser respeitado e sua presença nela, além de dificultar a compreensão da separação, fará as outras crianças cobrarem a presença do colo da mãe.

· Incentive a criança a procurar a ajuda do seu educador quando necessitar algo, para que crie laço afetivo com ele.

· Lembre-se que o educador atende às crianças em grupo, procurando distribuir sua atenção igualmente, promovendo junto com a mãe a integração da criança.

· Se os pais confiam na escola, sentirão segurança na separação e esse sentimento será transmitido à criança, que suportará melhor a nova situação.

· O período de adaptação varia de criança para criança, é único e deve ser avaliado individualmente.

· Poderão ocorrer algumas regressões de comportamento durante o período de adaptação, assim como alguns sintomas psicossomáticos (febre, vômito, etc.)

· É comum verificar-se nessa fase uma ambivalência de sentimentos. O desejo de autonomia da criança e a necessidade de proteção ocorrem simultaneamente.

· Você deverá se programar para ficar na escola no período de adaptação. Para a criança, todos são estranhos e você será o suporte, o apoio. Lembre-se, porém, de não interferir nas atividades da professora. De preferência fique do lado de fora da sala e apareça de vez em quando. Vá espaçando este tempo até sentir que ele realmente não sentirá mais sua ausência.

· Existem crianças que já no primeiro dia se despedem da mãe e se integram com as outras crianças, neste caso não há necessidade do programa de adaptação.





Não desista na primeira dificuldade. Muitos pais se sensibilizam com a resistência dos filhos à adaptação escolar e acabam retardando este momento. O ideal é que você esteja ao lado dele e converse muito. O que você deve ter em mente é que estará preparando seu filho para conviver em sociedade, aprendendo a compartilhar, a ter limites, além de aprender o que todos esperam: a ler e escrever.

Adaptação dos textos: Como ajudar seu filho na escola (Simaia Sampaio) e

Socialização e adaptação da criança na pré-escola (Débora Beni).

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Tipos de medo comum na infância

Tipos de medo comuns na infância


Por Giuliano Agmont





O pediatra carioca Júlio Dickestein diz que o medo costuma surgir diante de alguns elementos reais na vida de uma criança: o médico, a creche ou escola, a alimentação, a violência e a dor recorrente. Essas causas reais geram um medo verdadeiro, mas também podem derivar para estados secundários (medo de escuro, de monstros etc.). “Cada criança reage de uma maneira e o temor pode se tornar banal ou catastrófico”, explica o médico. “O importante é que os pais saibam a origem do medo, que acaba se manifestando de forma mais clara quando a criança fica sozinha ou está em lugares escuros”, explica o pediatra.



• Médico

A criança já chega estressada à consulta. Tudo é diferente. Em seguida, fica sem roupa diante de um estranho com objetos ameaçadores, que são postos na garganta, no ouvido, no peito... Isso sem falar na injeção. Para minimizar o apavoramento que tanta novidade causa, brinquedos podem ser ótimos aliados.



• Creche e escola

É uma etapa difícil para qualquer criança: separar-se dos pais por períodos prolongados pela primeira vez. Os pequenos se sentem desprotegidos na fase de adaptação. Para seu filho ficar mais seguro, seja fiel aos horários. Esteja esperando por ele na hora da saída da creche ou da escola.



• Alimentação

A comida leva a um círculo vicioso muito comum. Os pais querem que a criança coma, mas a criança não quer comer. E, quanto mais eles forçam, pior fica a situação. Resultado: o pequeno trava à mesa. Tornar a refeição um momento descontraído é uma boa forma de diluir esse amedrontamento. Procure enaltecer os prazeres proporcionados pelos alimentos (isso vale mais do que festejar quando a criança come ou castigar quando recusa um alimento).



• Dor permanente

Costuma estar associada a doenças. Por exemplo, à intolerância a algum tipo de alimento, como o leite. As cólicas persistentes fazem com que a criança fique alarmada diante da comida. Nessa situação, não engane seu filho. Diga a verdade sobre a relação entre o alimento e a dor que sente. O pediatra sempre poderá ajudar você a traduzir para a linguagem do pequeno essa relação.



• Violência

É o tema mais difícil de abordar, mas infelizmente acontece com frequência. O pior é que essa causa tem a ver diretamente com os pais. Da negligência afetiva (mãe e pai que deixam os filhos emocionalmente desamparados porque estão sempre cansados do trabalho, por exemplo) à palmada, de ameaças a humilhações, todo tipo de sofrimento físico e psíquico causado à meninada pode gerar medo e marcar o pequeno pela vida toda.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Seu filho não presta atenção nas aulas?

Correrias, agitação e falta de atenção são características presentes na infância, e a maioria das crianças pode vivenciá-las em determinada fase. Mas embora seja algo corriqueiro e normal, é preciso pensar atenção quando o problema persiste: dependendo da intensidade e frequência, a criança sofrer de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).



Mesmo que somente um profissional habilitado possa diagnosticar uma criança com TDAH, há variados indícios que demonstram a possibilidade do transtorno e os aspectos predominantes, que variam entre a hiperatividade, a desatenção ou combinação de ambos.



Dentro da escola, por exemplo, as crianças portadoras do TDAH com hiperatividade predominante terão mais dificuldade em ficar sentadas na carteira, falarão muito e farão barulho. São aquelas que interrompem as aulas ou brincadeiras, ocasionando problemas com professores ou até com colegas de classe.



As crianças com TDAH em que a desatenção é predominante costumam cometer erros por descuido, chegando até a não conseguirem concluir tarefas mais longas, que exigem foco. Diferentes dos hiperativos, eles não chamam muita atenção e o transtorno pode acabar sendo diagnosticado somente mais tarde.



Na combinação de hiperatividade e desatenção, o problema do TDAH pode ser ainda maior e quanto antes for feito o diagnóstico, melhor. De acordo com Fábio Barbirato, autor do livro “A Mente do Seu Filho” (Editora Agir) e chefe de Psiquiatria Infanto-Juvenil da Santa Casa, no Rio de Janeiro, é a partir dos seis ou sete anos de idade que a criança pode ser diagnosticada com segurança, mas profissionais bem qualificados podem descobrir o problema até em crianças a partir dos três anos.



Será que é TDAH?



Nem sempre, porém, a falta de atenção em sala de aula é um fator decisivo para diagnosticar o TDAH. “Quando a criança, por exemplo, possui graves necessidades escolares, repetiu o ano, não aprende a ler e a escrever direito, é importante que ela seja avaliada para saber se não possui patologias de aprendizagem”, explica Fábio.



Cacilda Amorim, psicoterapeuta comportamental e diretora do Instituto Paulista de Déficit de Atenção (IPDA), em São Paulo, lembra que a base para um diagnóstico clínico é a intensidade dos sintomas em comparação a outras crianças de idade similar. “Uma criança com baixo rendimento escolar pode sofrer de TDAH, mas também pode ser dislexia, déficits na alfabetização, dificuldade momentânea de ajuste emocional, como perdas e separação dos pais, dificuldades em aceitar regras ou até mesmo um problema orgânico”, explica a especialista.



Por esta razão, é preciso tomar muito cuidado com qualquer rótulo. “As queixas de distração, agitação, impulsividade e dificuldades emocionais são compartilhadas por muitos outros problemas que não o TDAH”, afirma Cacilda.



Mitos do TDAH



Além de rótulos, os mitos em torno do distúrbio ainda persistem. O principal deles é a crença de que o remédio indicado para o tratamento do TDAH trará dependência. De acordo com a Neuropediatra Valéria Modesto Barbosa, de Juiz de Fora, em Minas Gerais, o principal medicamento usado no tratamento, a Ritalina, não causa dependência por ser eliminado do organismo entre quatro a doze horas depois de ingerida. Fábio ainda afirma que não medicar uma criança com TDAH seria como não medicar um adulto com diabetes. “Atualmente, existe todo um embasamento para descartar qualquer possibilidade de tornar a criança dependente”, afirma.



Segundo Cacilda, existem outras afirmações a respeito da criança com TDAH que devem ser revistas, principalmente pelos pais. “Ele é preguiçoso e desmotivado” e “Ele vive com a cabeça no mundo da lua” são frases que um pequeno portador do TDAH poderá ouvir ao longo da fase de crescimento, mesmo que esteja lutando contra o problema. A criança pode também acabar acreditando que é realmente preguiçosa ou até burra, e o papel dos pais neste momento é educar a respeito do transtorno e mostrar também as qualidades que a criança possui.



E agora, o que fazer?



Embora os problemas possam ser muitos, até mesmo em relação aos colegas de classe, a criança diagnosticada com TDAH necessita de acompanhamento no desenvolvimento escolar. De acordo com Cacilda, mostrar seu interesse em torno da educação do filho e manter linhas de comunicação eficazes com os professores são atitudes que devem ser tomadas.



Além disso, a especialista afirma que é fundamental enfatizar o esforço da criança – não a inteligência ou a esperteza – e manter regras claras para a realização das tarefas escolares. A rotina é muito importante, como horários determinados para o estudo, alimentação, higiene, lazer e descanso. “Desta maneira, os pais evitam conflitos muito comuns, preservando a afetividade e a convivência familiar”, explica Cacilda.



Valéria ainda conta que, em relação à escola, os professores também devem tentar compreender os alunos com TDAH e tentar adaptá-los da melhor forma possível. “O professor, ao perceber que o aluno está mais agitado ou desatento, deve estabelecer uma comunicação com ele, dar uma tarefa para ele realizar fora da sala ou deixá-lo ir fazer uma pausa para que o ritmo seja quebrado e a criança tenha tempo de respirar e se adaptar novamente ao que está sendo proposto”, conta.



O mais importante é saber dar o tempo que a criança necessita. E os pais, em nenhum aspecto, devem se sentir culpados por ter um filho com TDAH. “Eles são fundamentais para a felicidade e uma adaptação bem sucedida das crianças portadoras do transtorno”, alega Cacilda. “Uma das piores saídas para lidar com as dificuldades do TDAH é endurecer a disciplina, criando regras muito rígidas, sem criar condições para favorecer os avanços e sucessos da criança”, completa.